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Onze razões para NÃO privatizar a Petrobras

Posted by Fabricio Pessoa em 20 julho, 2016

Por conta dos escândalos de corrupção envolvendo a Petrobras em função da Operação Lava Jato, muitas pessoas têm se manifestado a favor da privatização desta Companhia. O problema é que a maioria dos argumentos favoráveis a esta privatização se mostra imprecisa ou impertinente, principalmente se considerarmos a importância estratégica do petróleo. Vejamos:

    1. A gestão do petróleo é considerada estratégica para todos os países do mundo: se olharmos a história recente do mundo à luz do controle das reservas de petróleo, veremos que os países vencedores das grandes guerras e que são protagonistas do poderio econômico global sempre foram aqueles que possuíam gestão das principais reservas petrolíferas, direta ou indiretamente. Abrir mão deste controle do petróleo, portanto, é uma atitude comprovadamente arriscada em termos de política econômica;
    2. Os principais produtores de petróleo são empresas que pertencem ao poder público: das doze maiores empresas de petróleo do mundo (e a Petrobras hoje não está entre elas), OITO são de controle direto de países, o que prova a importância estratégica do petróleo na matriz econômica global;
    3. As empresas petrolíferas “privadas” possuem uma preocupação estrita com a busca de lucros…: As empresas de petróleo controladas pela iniciativa privada, obviamente, visam o lucro. Ocorre que o grau de preocupação estrita com o caráter econômico atinge níveis tão grandes (ou seja, em detrimento de outros fatores que compõem o negócio) que estas empresas frequentemente causam problemas de ordem social ou ambiental;
    4.  …que inclusive ocasionaram os maiores desastres ambientais da histórica da humanidade: em decorrência da redução de custos e maximização do lucro, as operações das petrolíferas privadas diversas vezes se mostraram negligentes com procedimentos de segurança, o que causou os maiores acidentes ambientais deste setor em toda a história. Só pra lembrar: Golfo do México (BP), Portsall (Amoco), Deepwater Horizon (BP) e Exxon Valdez (Exxon) foram todos causados por empresas privadas. Imagine se a Petrobras fosse privatizada e um acidente destas proporções ocorresse nas praias brasileiras? (Aproveitando, deixo mais uma pergunta: se a VALE não tivesse sido privatizada, será que a tragédia ambiental de Mariana teria ocorrido?)
    5. Privatizar a Petrobras não vai acabar com a corrupção: Esse é um dos maiores engodos dos pró-privatização. O problema da corrupção não está na Petrobras. Está nos valores políticos que influenciam a companhia, o que no fim das contas cai nos eleitores que os elegeram. Privatizar a Petrobras só vai mudar a corrupção de lugar.
    6. Mais importante que privatizar a Petrobras é mantê-la a salvo de quem quer depreciá-la: Políticos corruptos, maus gestores, abutres especulativos… muitas são as espécies que querem apenas lucrar em cima da Petrobras e de seus excelentes trabalhadores. Além de aplicar com eficiência as regras já existentes para coibir as ações destas pessoas, novas regras precisam ser estipuladas para garantir uma melhor gestão da Companhia;
    7. A Petrobras traz divisas para o país: se considerarmos os seis anos anteriores ao do início da Lava Jato (2014), veremos que a Petrobras teve um lucro líquido somado de mais de R$ 174 BILHÕES DE REAIS!!! Você acha mesmo interessante que este dinheiro fique totalmente com a iniciativa privada (ou melhor, com a camada mais rica da população que teria condições de comprá-la)?
    8. Os futuros desinvestimentos da Petrobras irão torná-la mais ágil e permitirão a retomada de sua rota lucrativa: em breve a Petrobras será desobrigada de participar de todos os investimentos do pré-sal, o que aliviará seu fluxo de caixa, estimulará a produção de petróleo pela iniciativa privada (tenho minhas dúvidas se isso de fato ocorrerá, mas enfim esta é uma possibilidade) e permitirá a criação de novos empregos;
    9. Os custos de produção da Petrobras seguem bem abaixo dos custos médios mundo afora: O Editorial Econômico do Estado de São Paulo de 17 de julho passado traz um dado interessante: Em alguns pontos da Bacia de Campos a Petrobras consegue produzir petróleo a um custo médio de US$ 7,60 por barril, bem abaixo da cotação internacional que é de US$ 46 o barril! Isto é uma prova da competência da Petrobras e de suas estratégias de gestão;
    10. A privatização da Petrobras implicaria no aumento do valor da gasolina no Brasil: você acha o preço da gasolina alto? Pois se a Petrobras for privatizada não há nenhuma garantia de que o seu valor diminuiria, e pior, este preço dependerá do “humor” das multinacionais e dos controladores (muitos estrangeiros) que assumiriam a Companhia, o que certamente acarretaria o AUMENTO (ao menos num primeiro momento) do valor do litro de gasolina;
    11. As multinacionais do petróleo só querem saber de vender gasolina nas grandes cidades brasileiras e enviar petróleo para os EUA e para a Europa: Os mais novos não sabem que a Petrobras foi criada simplesmente porque as empresas estrangeiras de petróleo não queriam aprimorar o desenvolvimento da produção e distribuição de gasolina e de outros derivados no interior do Brasil, fornecendo-os de uma forma melhor. Prova disso é que, até a década de 80, só se via postos da BR no interior dos estados (afinal as multinacionais queriam os postos das grandes cidades). A Petrobras, portanto, foi e continua sendo uma importante ferramenta de planejamento logístico, auxiliando na distribuição de recursos para o país como um todo, e é importante para o Brasil que continue assim.

 

 

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A vida após o atentado de Nice

Posted by Fabricio Pessoa em 15 julho, 2016

Mais uma atrocidade acontece na França. Desta vez, um tunisiano jogou um caminhão contra uma multidão em Nice durante as comemorações do Dia da Bastilha, em mais um atentado terrorista. Esta tragédia, entretanto, traz à tona várias outras questões que pedem uma reflexão não apenas de franceses ou de países, mas acho que de todos nós.

1) Religião serve pra “religar”, não pra desunir: porque diachos existem líderes religiosos que colocam na cabeça de seus correligionários que uma religião é melhor que a outra? Ok, sabemos que a resposta se resume a “poder” ou a “dinheiro”. Então porque existem pessoas que se deixam levar por pregações deste tipo? Bem, aí entra uma série de variáveis, dentre as quais citamos valores familiares, culturas locais, traumas pessoas… estas são questões que precisam ser observadas, discutidas e principalmente respeitadas pela sociedade em geral.

2) A relação entre pais e filhos precisa ser valorizada: o autor do atentado era pai de três filhos. TRÊS FILHOS! E ainda assim não titubeou em deixá-los desamparados. Pior ainda, matou outros tantos pais e mães! Cada vez mais me convenço que o mundo nunca precisou tanto de um conjunto de políticas e condutas sociais centradas nas relações familiares, esta sim a única maneira, a meu ver, de revertertermos a corrosão da sociedade global.

3) É preciso ouvir as “minorias”: muitos dos movimentos sociais espalhados pelo mundo são reflexo de parcelas “minoritárias” pertencentes a grupos sociais específicos, em diversos países. Por “minoritárias”, entretanto, não devemos entender quantidades de pessoas, mas sim correntes de pensamento não predominantes. Ou seja: tais movimentos expressam o desejo de que estes grupos sejam ouvidos. E eles querem uma coisa em comum: ser respeitados. Há uma música que traduz muito este ideal: “Respect existance ou expect resistance”. Respeite a existência ou espere resistência.

4) O capitalismo precisa abrir mão de padrões: Diversos escritores consagrados apontam que é preciso repensar a atual forma de aquisição e concentração de riquezas, o que é algo extremamente difícil de acontecer uma vez que os mais “ricos e poderosos”, detentores dos meios para proporcionar estas mudanças, são justamente os que menos têm interesse em mudar este quadro. Ou eles entendem a gravidade do quadro atual e provem mudanças que melhorem a distribuição de renda, ou teremos o agravamento dos conflitos sociais por motivos socioeconômicos, o que pode sim ocorrer em todo o planeta.

5) Estamos construindo uma “nova idade média”? O Brexit virou uma realidade por conta de um medo crescente de estrangeiros. Os atentados da França vão fortalecer a extrema direita na região. Outros países estão iniciando movimentos para estabelecer controles de fronteira mais rígidos. Se essa situação continuar, e pior, se ela se agravar, será que não veremos uma retrocesso nas relações comerciais e, a partir daí, das relações pessoais?

Estas são questões que merecem uma profundíssima reflexão, e além disso precisam ser pensadas se queremos de fato ver uma transformação profunda no atual status quo. O tempo da mudança já está mais do que presente. O medo é que este tempo já se torne um “tarde demais”.

 

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