CONSPIRAÇÕES

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Archive for maio \29\UTC 2011

As doutrinas da alienação

Posted by Fabricio Pessoa em 29 maio, 2011

(Parte 13 da série As Faces da Ganância – com colaboração)

Uma das mais intrigantes histórias da filosofia em todos os tempos é aquela sobre as sombras da caverna, criada por Platão.

Ela é mais ou menos assim: Numa caverna haviam pessoas que nasceram e passaram toda a vida ali, acorrentadas e forçadas a olhar somente a parede do fundo da caverna, na qual eram projetadas sombras do mundo exterior, por um feixe de luz que passava por uma fresta da caverna.

Pelas paredes da caverna também ecoavam sons que vinham de fora, e os prisioneiros as associavam às sombras, de modo a julgá-las como vivas e reais.

Um dos prisioneiros conseguiu se libertar e, movendo-se aos poucos, saiu da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, mas também percebendo toda a realidade do mundo.

E aí reside o dilema: caso decida voltar à caverna para revelar aos seus antigos companheiros a situação extremamente enganosa em que se encontram, ele correrá, segundo Platão, sérios riscos – desde ser simplesmente ignorado até ser agarrado e morto por eles, caso estes o tomarem por um louco e mentiroso.

Transpondo este mito para a nossa realidade, é como se você acreditasse, desde que nasceu, que o mundo é de um determinado modo, e então alguém surge e lhe diz que quase tudo aquilo é falso, é parcial, e tenta lhe mostrar novos conceitos, totalmente diferentes.

Foi justamente por razões como essa que Sócrates foi morto pelos cidadãos de Atenas, inspirando Platão à escrita da Alegoria da Caverna, pela qual ele nos convida a imaginar que as coisas afeitas à existência humana podem ocorrer, comparavelmente, à situação da caverna, ou seja: por causa de falsas crenças, os homens ficam acorrentados a preconceitos, ideias enganosas e, por causa disso tudo, permanecem inertes em suas vidas pequenas e restritas a poucas possibilidades.

É exatamente isso que têm acontecido no mundo de hoje, com muitas das religiões e seitas que por aí se disseminam. Os líderes desses movimentos desencaminhadores fazem verdadeiras lavagens cerebrais em seus seguidores que, diante da forte persuasão acreditam numa “verdade” induzida por argumentos sedutores e tendenciosos.

Enquanto isso, muitos acabam se fechando para um mundo acreditando que a segurança reside ali naquele grupo exclusivo e preconceituoso.

Tudo isso se revela na busca não da pregação de uma doutrina mas sim da busca por dinheiro, mas é claro que os líderes (direta ou indiretamente remunerados) desses movimentos sempre negarão que agem para este fim.

Portanto, é preciso cuidado e sabedoria com os chamados pregadores das “meias verdades” – sobretudo aqueles que usam “pregações” para ganhar dinheiro e para manobrar multidões – inclusive porque, se alguém ver a luz como no caso do mito da caverna de Platão, e decida revelar a verdade para seus iguais, poderá acabar sendo “morto”, não fisicamente, mas espiritualmente, tornando-se um “estranho”dentro do grupo onde vive.

E com isso fica claro que Platão, portanto e mais uma vez, tinha razão….

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Orlando Silva – um Ministro contra SP

Posted by Fabricio Pessoa em 6 maio, 2011

As manchetes de hoje referentes ao estádio de Pirituba informam que ele não ficará pronto antes da Copa das Confederações (como se ele hoje tivesse alguma possibilidade REAL de ficar pronto… mas enfim…).

Por conta disso, o Sr. Orlando Silva, o qual para nossa infelicidade é nosso Ministro dos Esportes, declarou que, caso a Copa das Confederações não tenha condições de ser disputada em Itaquera, neste caso ela não seria disputada em São Paulo!

Disse o Ministro, segundo o UOL: “Se o estádio do Corinthians não ficar pronto até a Copa das Confederações, defendo que São Paulo fique fora da Copa das Confederações”.

Ora, então quais são as reais intenções do Ministro do Esporte? Porquê ele só quer a Copa das Confederações no Estádio de Itaquera? Teria ele algum “outro interesse” nisso? E o mais importante: PORQUE PRIVAR O POVO DE SÃO PAULO DA COPA DAS CONFEDERAÇÕES???

Pra mim, independente dos interesses uma coisa está clara: Orlando Silva é um Ministro que está, sabe-se lá porque, defendendo os próprios interesses, e que não está nem aí pro povo de São Paulo.

E, infelizmente e cada dia mais, vou ficando CONTRA a realização da Copa do Mundo em 2014…

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Não à Copa no Brasil – Excelente artigo

Posted by Fabricio Pessoa em 5 maio, 2011

Muito bom o ensaio escrito pelo colunista da Veja Roberto Pompeu de Toledo, contra a realização da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. Publicada na última capa da edição desta semana da revista, ele sintetiza muito bem todos os problemas de nossa triste realidade, e (como eu) manifesta sua desilusão  com a possibilidade de que a Copa venha a acontecer aqui.

Para ajudar a divulgar, transcrevo então o artigo, abaixo:

“Não foi a senhora que inventou essa história  de sediar a Copa do
Mundo. Foi o Outro. Ele é que era, e continua sendo, louco por
futebol. Ele é que criou na cabeça um Brasil tão grande e influente
que terminaria com a crise do programa nuclear do Irã, arbitraria a
paz entre árabes e israelenses, ganharia um assento permanente no
Conselho de Segurança da ONU e, para encerrar, como a última firula do
artilheiro antes de fazer o gol, sediaria o Mundial de 2014. A
senhora, ao contrário, e mil desculpas se for engano, aparenta se
aborrecer mortalmente diante de um jogo de futebol. Tamb6m não é
crível, simplesmente não cabe no seu perfil, que acredite no mesmo
Brasil fantasioso do Outro. Se deu a entender que sim, isso ocorreu
apenas no período eleitoral, em que, como no Carnaval, tudo é
permitido.

“Falo, falo, e não digo o essencial”, escrevia Nelson Rodrigues. O essencial é o seguinte: por que não desistir? Não seria a primeira vez. A Colômbia, escolhida para sediar a Copa de 1986, jogou a toalha três anos antes, e o torneio mudou para o México. O Brasil não vive a mesma crise econômica nem as ameaças do terrorismo esquerdista e dos cartdis da droga que atormentavam a Colômbia no período. Em contrapartida, temos colossais problemas de infraestrutura de transportes e, se ngo enfrentamos crise econômica, não nos sobra dinheiro para erguer estádios já nascidos com a marca de elefantes brancos, como, com todo o respeito, os de Natal, Manaus e Cuiabá.

Os aeroportos já são um caso perdido, segundo estudo do Ipea, um órgão
aí da sua cozinha. Nove, entre os treze que servirão ao evento, de
acordo com o estudo, não ficarão prontos a tempo. Na semana passada,
num gesto que soa a desespero, pois contraria um dogma de seu partido,
o governo abriu a possibilidade de privatização dos novos terminais.
Mesmo que seja para valer, não serão dispensadas, é claro, as
concorrências, os contratos, as licenças ambientais, sabe-se lá mais o
quê. Mas, suponhamos que de certo, e o prognóstico do Ipea não se confirme.
Muito bem, o distinto público consegue desembarcar nos aeroportos.
Suponhamos que num dos aeroportos paulistas. Novo desafio: como chegar
à cidade? Não há trens, e as estradas vivem congestionadas. Como este
6 um exercício de boa vontade, suponhamos mais uma vez que consigam.
Problema seguinte: como chegar ao estádio do Corinthians, no bairro de
Itaquera, o escolhido da Fifa? A linha de metro que o serve está
saturada, e o tráfego nas avenidas com o mesmo destino é de fazer
chorar. Mas suponhamos, mais uma vez, que de certo. Enfim, chegamos.
Mas… aonde? A um terreno baldio. O estádio do Corinthians não 6 mais
que uma hipótese. Nem quem vai pagá-lo se sabe.

“Falo, falo, e não digo o essencial.” O essencial desta missiva,
senhora presidente, é sugerir-lhe uma estratégia. Se lhe parece
humilhante desistir assim, na lata, a sugestão é a seguinte: brigue
com a Fifa. Enfrente-a. Como o mundo inteiro sabe, a Fifa não é flor que se
cheire. É uma entidade tão milionária, e tão abusada no uso de seus
poderes, quanto são milionários e abusados seus dirigentes. Pega bem
enfrentá-los. Brigue para que reduzam suas incontáveis exigências. Que
aceitem a reforma de estádios existentes em vez de pedirem tantos
novos. Que assumam parte das despesas. A Fifa está com a corda no
pescoço tanto quanto a senhora. Na melhor das hipóteses, eles romperão
com o Brasil e partirão para uma alternativa de emergência. A culpa
não será da senhora, mas da arrogante inflexibilidade que
demonstraram. Na pior, que já nos é favorável, reduzirão as exigencias
e arcarão com parte dos custos. A senhora já tem assunto demais com
que se preocupar. Precisa livrar-se desta, com perdão pela expressão,
herança maldita.
Em paralelo, e com cuidado, a senhora trataria de reduzir o absurdo
número de doze cidades-sede para os jogos. A questão exige mais cuidado porque mexe com interesses locais e porque aqui não foi a Fifa, foi ele, o Outro, que assim quis. Com a mente intoxicada de Brasil Grande e o olho nos dividendos eleitorais, ele quis agradar ao maior número de gente possível. Agiu, na manipulação do futebol, como faziam os governos militares. Na África
do Sul as sedes foram nove; nos EUA, outro país continental, também
nove. Abater o número de sedes diminui despesas e poupa o público do
excesso de deslocamentos. Senhora presidente, ainda lhe sobra espaço
político para agir. Tal qual estão postas as coisas, as alternativas
são colapso absoluto, fiasco total ou fiasco parcial.”

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