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As Faces da Ganância – Parte 11 – A “Justiça” no Século XXI

Posted by Fabricio Pessoa em 20 janeiro, 2011

(Continuação da parte X desta Série)

Há poucos dias ocorreu mais um emocionante capítulo da novela envolvendo o Wikileaks e seu fundador Julian Assange,  que merece até uma nova reflexão sobre o significado da palavra “justiça” no mundo de hoje.

O fato é o seguinte:  Assange recebeu, das mãos do banqueiro suíço Rudolf Elmer (que trabalhou por vários anos em um banco das Ilhas Cayman),  CDs com detalhes das contas bancárias de 2 mil personalidades suspeitas de evasão fiscal,  de todos os cantos do planeta. Assange, aliás,  já prometeu que após a verificação destes dados divulgará os nomes dos titulares destas contas bancárias no WikiLeaks, no máximo em duas semanas.

Por conta desta informação bombástica, podemos até supor que neste exato instante algumas destas pessoas (será que tem algum político brasileiro aí?) estejam encerrando suas contas nas Ilhas Cayman, pra evitar investigações futuras.

A atitude de Elmer – que será julgado a partir de hoje, na Suíça –  é idêntica à do soldado e analista de inteligência americano Bradley Manning, suposto  responsável pelo vazamento de cerca de 250.000 documentos diplomáticos americanos e que aguarda julgamento em uma base militar americana.

A questão que surge aqui é: porque estas pessoas fizeram isso? Ao meu ver, quatro poderiam ser as possibilidades:  descuido (menos provável), problemas mentais (pouco provável), vingança contra alguém (razoavelmente provável), ou desejo de trazer a verdade à tona (muito provável).

Essa “verdade”, entretanto, se confunde com o próprio conceito de “justiça”, já que os homens (ao menos em tese) deveriam fazer a justiça A PARTIR da verdade, e portanto estes dois conceitos acabam se tornando intimamente ligados entre si, quase que sinônimos.

Em ambos os casos acima, o que aconteceu foi que duas pessoas, detentoras de segredos decorrentes de suas funções, resolveram levar estes segredos ao público, movidos por um desejo de externar a verdade (desejo esse decorrente de motivos que podem ser os mais diversos), que se tornou maior do que seu desejo de cumprir com seus respectivos deveres funcionais.

E é aí que surge uma nova e grande questão: até que ponto o que eles fizeram foi “errado”?

Será que a revelação destes fatos, no final das contas, não é um  “bem maior” para a humanidade, na medida em que ela veio expor fatos irregulares, injustos ou que escondiam interesses egoístas ou até mesmo mesquinhos?

E quanto aos interesses das pessoas jurídicas envolvidas, será que eventuais alegações de “questões de segurança nacional” ou “segredos industriais/comerciais” podem servir de pretexto para encobertar ações ilegais?

Discussões à parte, os fatos acima – ou melhor, a análise destes fatos dentro da perspectiva  das relações internacionais – inevitavelmente nos levam a refletir sobre o que seria a “justiça” no mundo globalizado atual, e assim, a grande conclusão a que chegamos é que a justiça de hoje tem características diferentes da do século passado.

A justiça do século XXI tem uma conotação social global (não mais nacional),  e por isso, mesmo nos casos em que os efeitos de um determinado fato sejam locais, há uma necessidade (movida pela circulação constante da informação no mundo de hoje, graças principalmente à internet) de que as ações humanas sejam de conhecimento geral, superando interesses locais e buscando levantar e condenar condutas socialmente irregulares.

Com isso, podemos dizer que “justiça” hoje é a “verdade socialmente irrestrita”, sem segredos e sem justificativas para a sua ocultação.

É claro que este conceito pode levantar todo tipo de questionamento – principalmente quanto ao direito de privacidade inerente a todo cidadão – mas parece que esta é a tendência para a qual caminhamos, quanto ao que “deve ser” justo.

Além deste, muitos outros conceitos estão mudando graças a esta “conectividade global”, e assim, cabe a nós atuar neste grande palco desde já, para que estes conceitos sejam alterados para melhor, e sobretudo  para que uma estrada mais sincera, saudável e feliz possa ser construída para nossos descendentes.

 

 

 

 

 

 

 

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