Um dos momentos mais peculiares – e delicados – da vida é aquele onde é preciso escolher uma faculdade. Infelizmente somos levados ainda muito jovens a escolher por um campo que pressupõe a escolha de uma carreira para o resto das nossas vidas, mas é assim que as coisas são…
Mas isso não é o pior de tudo. Com a escolha da carreira, feita tomando-se como partida a escolha de um determinado campo científico, uma série de (digamos) “expectativas sociais” começa a surgir na vida do universitário médio, que se resumem na adequação das suas ações às condutas que dele se esperam no que diz respeito à vida acadêmica (incluindo aqui estágio, estudo, etc…).
E é aqui que o verdadeiro problema começa. Neste momento começam as pressões sociais, que se refletem nas palavras ingênuas de pais “preocupados” com o futuro do filho, nos jargões das publicidades ou novelas, nos papos-padrão das rodas sociais…
Estas pressões, infelizmente, apenas tendem a aumentar ao longo da vida da pessoa, e assim se constrói um padrão de expectativas sociais sobre ela que em muitos casos pode se tornar destrutiva, uma vez que poderão deturpar a sua real essência, ou as suas mais nobres aspirações.
Estou exagerando? Não mesmo.
Existem DIVERSOS relatos na literatura médica (sobretudo na psicologia) dando conta que esse atrito entre as aspirações pessoais e as pressões sociais deram causa a enfartes, suicídios e crimes, e mais, outros tantos casos não apenas podem ser vistos no nosso dia-a-dia (e podem ser encontrados numa simples busca no Google), como também são frequentemente comentados por aí.
O fato é que não podemos negar que a sociedade contemporânea gera uma pressão injusta sobre o indivíduo, ao ponto de levá-lo a situações de conflito interior, ou – em último caso – de rompantes de fúria vingativa contra esta mesma sociedade.
Como impedir que este quadro continue? A resposta está em três palavras: compreensão, respeito e incentivo. Pessoas que não se mostram felizes com suas escolhas precisam ser ouvidas, em primeiro lugar (compreensão), sem que sejam feitas críticas duras, insensíveis ou divorciadas das suas emoções e vivências (respeito). Somente então é que se deve orientá-lo, estimulando esta pessoa a seguir lutando pela própria felicidade (incentivo).
Mas aí uma outra questão surge: pode ser (e é bem provável que) surja daí um novo “conflito” entre o que se quer para a própria felicidade e os padrões sociais tradicionais.
Um exemplo: Socialmente falando, se espera que um advogado bem-sucedido seja aquele que ganhe muito dinheiro, tenha mestrado, doutorado, amigos influentes e exposição em eventos e na mídia em geral. Entretanto, por outro lado podemos muito bem ter um advogado que não tenha o menor interesse nisso tudo, seja “apenas” bom naquilo que faz (como se isso não fosse o bastante) e que apenas prefira dedicar uma parte de sua vida a atividades necessárias à sua felicidade e à felicidade das pessoas à sua volta, algumas das quais podem não ser compreendidas (ou melhor, respeitadas) por algumas das pessoas ao seu redor.
Pergunta: qual dos dois tipos de adovado está correto? Se você acha (ou em algum momento tendeu a achar) que é o que se encaixa na primeira hipótese acima… bem, talvez seja a hora de você rever alguns dos próprios conceitos, pois você tambem pode estar no fluxo da mesmice social…
